Foto: reprodução / Instagram @oprah

Segundo o IBGE, 29 milhões de brasileiras vivem no climatério. Geração de mulheres influentes lideram um movimento sobre essa fase feminina

Na noite de segunda-feira, 31 de março, estreou nos Estados Unidos o especial The Menopause Revolution, apresentado por Oprah Winfrey, 71. Com participações de Halle Berry, Naomi Watts e Maria Shriver, o programa promete ser um marco na discussão aberta e sem tabus sobre a menopausa, trazendo informações essenciais sobre saúde mental, sono, peso, vida sexual e bem-estar durante essa fase.

Mas o que torna isso revolucionário? Pela primeira vez, uma geração de mulheres influentes está usando sua voz para normalizar um tema que, por muito tempo, foi tratado como vergonhoso ou como um “fim”. Enquanto a menstruação sempre esteve associada à fertilidade e juventude, a menopausa permanece estigmatizada como a perda da vitalidade feminina.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 1,2 bilhão de mulheres em todo o mundo terão 50 anos ou mais até 2030, o que significa que estarão na fase da menopausa ou pós-menopausa.

Oprah, que já declarou publicamente: “Ninguém me preparou para isso. Eu pensei: ‘O que está acontecendo comigo?’”, lidera um movimento global por respostas e empoderamento. A apresentadora também revelou que sofreu uma perda de concentração grave que a fez interromper temporariamente seu famoso clube do livro. “A verdadeira razão pela qual eu tive que parar é porque eu não conseguia mais me concentrar. Isso me faz querer chorar”, compartilhou.

Muita gente acredita que a menopausa é um problema exclusivamente ginecológico, já que, nessa fase, os ovários interrompem a produção de hormônios. No entanto, como pontua Alessandra Rascovski, endocrinologista e diretora clínica da Atma Soma: “O cérebro é rico em receptores para estrogênio, o que me leva a dizer que a menopausa também é um processo neurológico”. 

Além disso, Winfrey também vivenciou palpitações cardíacas durante esse período, sem saber que era um sintoma da menopausa. “Quando eu estava passando por isso, não havia nada. Não havia ninguém”. 

Para a especialista, é essencial prestar atenção nos sintomas e reconhecer quais podem estar ligados à menopausa. Segundo o documentário The M Factor Menopause, primeiro filme médico sobre o assunto, entre 50% e 85% das mulheres relatam que seus sintomas não foram devidamente tratados.

Assim como Oprah, Alessandra destaca a importância de profissionais que lançam luz sobre esse debate, como Lisa Mosconi, professora de neurociência e diretora do Programa de Prevenção de Alzheimer no Centro Médico Weill Cornell, da Universidade de Cornell. “Ela vem observando o comportamento cerebral das mulheres em fases como perimenopausa e anos após o início da menopausa. O estrógeno 17 beta estradiol é a forma de estrogênio mais biologicamente ativa do organismo e tem muito efeito nos receptores cerebrais”, aponta a endocrinologista. 

No Brasil, Fernanda Lima também tem falado abertamente sobre suas experiências, reforçando que a menopausa não é um declínio, mas uma transição que pode ser vivida com plenitude. Segundo o IBGE, aproximadamente 29 milhões de mulheres brasileiras estão na faixa etária do climatério e menopausa, o que representa 7,9% da população feminina.

“Acho que a decisão de falar sobre o tema foi mais um ‘distabulizar’. Cada tempo pede um assunto. A gente vem falando de mulheres há alguns anos, de sexualidade, de liberdade, de conversa. E chegou a hora de falar de menopausa. É o tempo da menopausa”, afirmou a apresentadora durante sua participação no programa Provoca, de Marcelo Tas.

Menopausa precoce e prematura: qual a diferença?

Para além da condição, caracterizada pela redução da função ovariana e pela queda na produção de estrógeno, de acordo com a especialista, é necessário levar para as mulheres a informação de que: “O que diferencia a menopausa comum em relação à precoce é somente o corte de idade.” Segundo a OMS, ela é definida como a interrupção permanente da menstruação após 12 meses consecutivos sem ciclos, geralmente ocorrendo entre os 45 e 55 anos de idade.

Por sua vez, há uma distinção entre menopausa precoce e menopausa prematura. “De forma respectiva, uma acontece abaixo dos 45 anos, enquanto a outra é considerada quando ocorre antes dos 40 anos”, explica a endocrinologista, que relata um caso vivido em seu consultório: “Já tive uma paciente entrando na menopausa prematura com 28 anos”. Segundo Alessandra, esses são casos em que a reposição hormonal é mais do que indicada, pois seus reflexos serão mais duradouros, principalmente ao levar em consideração que hoje a expectativa de vida é mais alta.

Fatores como doenças autoimunes, cirurgias, tratamentos contra o câncer (como quimioterapia), questões ambientais, estilo de vida, infecções virais e disruptores endócrinos — substâncias presentes em plásticos, agrotóxicos, aromatizantes, corantes e conservantes — também podem influenciar o surgimento da condição. “O histórico familiar deve ser levado em consideração”, alerta. 

Janela de oportunidade: o momento ideal para a reposição hormonal

A terapia hormonal é iniciada na chamada “janela de oportunidade”, que engloba um período de, no máximo, 10 anos após a menopausa, ou até os 60 anos de idade. E, na visão da especialista, é fundamental ter um olhar aproximado para essa questão.

Além dos impactos neurológicos, Alessandra Rascovski reforça que o tratamento da menopausa deve considerar o aspecto metabólico. “Com os hormônios regulados, é possível gerar um ambiente mais favorável para a perda de peso”, explica a especialista, que também chama atenção para a importância do monitoramento hormonal precoce, especialmente em mulheres que desejam planejar uma gravidez futura. 

“Flutuações hormonais podem comprometer o sonho da maternidade, além dos reflexos que a própria menopausa pode causar, como o impacto na saúde dos ossos e aumento do risco de doenças cardiovasculares”, alerta.

Para Alessandra Rascovski, iniciativas como o The Menopause Revolution são necessárias para que cada vez mais mulheres possam passar por essa fase com mais leveza e qualidade de vida. “Cuidar de mulher é cuidar do futuro, é cuidar do cérebro , da família e da sociedade”, conclui.


Sobre a Atma Soma

Liderada pela endocrinologista Alessandra Rascovski, a Atma Soma tem foco na prática da medicina de soma, unindo várias especialidades em prol dos pacientes, respeitando a sua individualidade e oferecendo a ele uma vida longa e autônoma.

A clínica conta com um time de médicos e profissionais assistenciais de diversas áreas como endocrinologia, urologia, ginecologia, nutrição, gastroenterologia, geriatria, dermatologia, estética, medicina oriental e ayurveda, com olhar dedicado à prática do cuidado focado no eixo neurocognitivo, metabólico e hormonal.

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