
Henrique Medeiros Sérgio não apenas escreve ou canta. Ele denuncia, provoca e transforma. Sua obra cruza a literatura, a música e a pesquisa social para dar voz a quem sofre com relações abusivas, exclusões e preconceitos. Estes três EPs com 17 músicas, não são apenas coleções de canções: são gritos necessários, trilhas sonoras de resistência e espelhos das nossas contradições coletivas. 17 canções como mosaico: cada obra é uma peça que se completa na outra, resultando em um mapa das relações humanas sociais e emocionais.
Do coletivo ao íntimo: começa denunciando os horrores sociais (Tenho Horror Dessa Gente), passa pela preservação da memória e do trauma (Fragmentos Gritantes), e chega ao espaço interno das emoções e vícios (“Dopaminas” Emocionais). Da violência externa à química interna: a narrativa vai da agressão visível (machismo, homofobia, preconceito), passa pela permanência dos efeitos (fragmentos de dor), e desemboca na forma como cada corpo e mente processam esses impactos (dopamina e emoções).

EP 1 — Tenho Horror Dessa Gente!
Um grito musical visceral contra a misoginia, o racismo, a homofobia, a violência doméstica e a toxicidade social. Cada faixa é um manifesto contra tudo que corrói a convivência e disfarça abusos sob o nome de afeto. É choque, denúncia e enfrentamento.
Lançamento: 12 de setembro 2025

EP 2 — Fragmentos Gritantes
Canções que falam sobre dor, memória, diferenças, indiferenças, superação e permanência das vozes silenciadas. Uma celebração da força que permanece de pé, mesmo em pedaços. É a continuidade das vozes que recusam o apagamento.
Lançamento: 27 de setembro 2025

EP 3 — Dopaminas Emocionais
Mergulha nas contradições da busca por prazer, alívio e pertencimento em tempos líquidos. Traz músicas que oscilam entre a leveza e o peso de conviver com o vazio, os vínculos frágeis e a euforia química das emoções instantâneas.
Lançamento: 12 de outubro 2025
ENTREVISTA:
Revista Projeto AutoEstima: Como nasceu a ideia de transformar sua pesquisa e literatura em música?
Henrique Medeiros Sérgio: A música sempre esteve presente no meu processo criativo, mesmo quando escrevia. A trilogia nasceu da vontade de expandir a denúncia e a reflexão para além das páginas. A literatura provoca silêncio e introspecção; a música, ao contrário, invade, ecoa, grita. Transformar pesquisa e narrativa em som foi a forma que encontrei de amplificar essas vozes — de transformar dados e histórias em algo que o corpo sente, não apenas a mente.
Revista Projeto AutoEstima: Qual foi o maior desafio em traduzir denúncia social em música sem perder a sensibilidade artística?
Henrique Medeiros Sérgio: O desafio foi trazer para as canções a mesma intensidade e as mesmas reflexões que carrego em minhas obras literárias. Eu queria que cada música fosse não apenas um grito, mas também um espaço de emoção. A dor precisa ser sentida, mas também abrir caminhos para resistência, cura e questionamento. O equilíbrio está em transformar indignação em poesia sonora, dura, mas ainda assim capaz de tocar, não apenas ferir.
Revista Projeto AutoEstima: No EP Tenho Horror Dessa Gente você expõe de forma visceral temas como misoginia, racismo, homofobia e violências disfarçadas de afeto. O que motivou você a transformar essas dores sociais em um grito musical tão direto e sem meias-palavras?”
Henrique Medeiros Sérgio: O que me motivou foi a urgência. A violência contra mulheres, a homofobia, o racismo — nada disso é abstrato, são dores reais que atravessam corpos todos os dias. Eu não queria escrever uma canção para ser apenas bonita, queria que fosse um grito, um choque. O nome já diz: Tenho horror dessa gente e ao que ela representa. Transformei essa indignação em música porque a arte tem poder de atravessar fronteiras, de ecoar onde o discurso acadêmico ou político muitas vezes não chega. É visceral porque a violência também é. E se não denunciamos com força, corremos o risco de naturalizar o que mata.
Revista Projeto AutoEstima: Você enxerga Fragmentos Gritantes como um arquivo afetivo contra o apagamento?
Henrique Medeiros Sérgio: Sim, totalmente. Esse EP é uma forma de registrar o que não pode ser silenciado: as dores, os traumas e também a força de quem resiste. É um arquivo afetivo e político. Cada fragmento é um testemunho de que, mesmo partidos, seguimos de pé. É sobre não permitir que a memória se dissolva no silêncio.
Revista Projeto AutoEstima: Como foi equilibrar ironia, crítica e poesia em Dopaminas Emocionais?
Henrique Medeiros Sérgio: Foi um mergulho delicado, porque estou falando de algo muito presente: nossa busca compulsiva por prazer e validação. Usei a ironia para expor os absurdos, a crítica para provocar incômodo e a poesia para não perder a humanidade. É como dançar na beira do abismo: você ri, mas percebe o vazio logo abaixo.
Revista Projeto AutoEstima: Como você vê a integração entre obra literária e canção?
Henrique Medeiros Sérgio: A literatura e a música são duas forças que se entrelaçam. A literatura me dá a densidade da palavra, a estrutura; a música abre espaço para que essa palavra ganhe corpo, ressoe e emocione. Quando escrevo, já percebo a cadência, o ritmo oculto no texto; quando componho, penso em imagens e metáforas que poderiam estar em um livro. É como se fossem camadas de uma mesma pele: diferentes, mas inseparáveis. Juntas, constroem uma voz que não é apenas para ser lida ou ouvida, mas para ser sentida.
Revista Projeto AutoEstima: O olhar visual de ilustrador influencia sua música?
Henrique Medeiros Sérgio: Muito. Eu penso cada música como um quadro em movimento. Preciso enxergar a cena, a cor, a atmosfera, antes de compor. Esse olhar visual me ajuda a transformar ideias em metáforas palpáveis: o amor como tempestade, a violência como campo minado, o prazer como explosão química. A imagem é sempre a ponte para a canção
Revista Projeto AutoEstima: O que a arte consegue alcançar que a pesquisa sozinha não consegue?
Henrique Medeiros Sérgio: A pesquisa explica, mas a arte transforma. Um gráfico pode mostrar que o feminicídio cresce, mas uma canção como Amor Também Mata faz você sentir esse dado. A arte atravessa o corpo, cria empatia, gera movimento. Ela não substitui a ciência, mas potencializa sua capacidade de sensibilizar e mobilizar.
Revista Projeto AutoEstima: Qual a importância de levar a reflexão sobre o afeto como cura e opressão de forma artística?
Henrique Medeiros Sérgio: Porque todos vivemos relações, mas nem todos leem pesquisas. Quando falo de afeto como espaço de cura ou de opressão em música ou literatura, eu abro uma janela de identificação. As pessoas se reconhecem, se questionam. O amor pode salvar, mas também pode matar. Trazer isso para a arte é dar às pessoas uma forma de enxergar suas próprias histórias e talvez romper ciclos.
Revista Projeto AutoEstima: Como os prêmios e reconhecimentos impactam sua responsabilidade como artista?
Henrique Medeiros Sérgio: Os prêmios me lembram que não estou sozinho. Mostram que existe gente disposta a ouvir, refletir e se engajar com o que escrevo e canto. Isso me dá energia para continuar criando e transformando dor em arte.
Revista Projeto AutoEstima: Como imagina a evolução do seu universo criativo nos próximos anos?
Henrique Medeiros Sérgio: Imagino um caminho cada vez mais híbrido: literatura, música, artes visuais e plataformas digitais conversando entre si. Quero que minha obra seja ponte, que atravesse fronteiras, que leve denúncia e beleza a diferentes espaços. Mais do que lançar livros ou EPs, eu quero lançar sementes de reflexão. Se elas brotarem em quem me lê ou me ouve, já cumpri minha missão.
Contatos:
www.henriquemedeirossergio.social.br
WhatsApp-Telegram: (21) 98503.3000
Créditos
Entrevista: Revista Projeto AutoEstima
Ilustrações\Capas: @henriquemedeirossergio
Compositores: @henriquemedeirossergio e @andreluizdeveloper
Maquiagem\Cabelo\Produção:
@claudio.fonseca.makeup e @kadu.contato
Fotografias:
@claudio.fonseca.makeup e @andreluizdeveloper
Revisão Editorial: @andreluizdeveloper
Elenir Alves é formada em Publicidade e Marketing. Editora-chefe da Revista Projeto AutoEstima e Assessora de Imprensa da Revista Conexão Literatura. Foi coeditora, juntamente de Ademir Pascale, do extinto fanzine TerrorZine – Minicontos de Terror. Foi coautora de diversos livros, entre eles “Draculea – o Livro Secreto dos Vampiros”, “Metamorfose – A Fúria dos Lobisomens” e “Zumbis – Quem disse que eles estão mortos?”, nas horas vagas adora escrever poemas e frases inspiradoras.
Redes Sociais:
www.facebook.com/projetoautoestima
www.instagram.com/revistaprojetoautoestima
Site: www.revistaprojetoautoestima.com.br






