Quando
se pesquisa sobre como as crianças se formam por meio das fábulas,
Gianni Rodari é uma referência mundialmente reconhecida. Portanto, a
reedição da obra clássica da Summus Editorial recebeu tratamento
refinado na tradução para enaltecer a genialidade do mestre. A escritora
Ruth Rocha apresenta a leitura indispensável para educadores que
entendem a relevância do autor para além do processo de incentivo à
criatividade.

Gianni
Rodari (1920 – 1980) foi um gênio criativo e um ser humano absolutamente
devotado à justiça social e às crianças. Sua obra é permeada pela
necessidade de explorar a inventividade sem limites inerente à infância,
em benefício de uma sociedade melhor. No livro Gramática da fantasia – Uma introdução à arte de inventar histórias (Summus
Editorial, 208 p., R$ 75,70), o educador, jornalista e escritor de
literatura infantil compartilha as teorias que o tornam, ainda hoje, um
bálsamo na condução do imaginário das crianças. Publicada no mundo todo,
a reedição brasileira é lançada com notas explicativas, especialmente
elaboradas para complementar a tradução.

As ideias de Rodari vão muito além do ambiente escolar, fustigando o
binômio fantástico, a importância dos contos populares e lendas, do quão
transformadora pode ser a fase de descoberta dos contos de fadas,
parlendas, poemas, livros infantis e o quanto sugerem expansão à
personalidade. A primeira parte do livro traz uma seleção de atividades
para que tanto professores e pais desenvolvam histórias enquanto
interagem, como mostra maneiras de motivar as crianças a criarem suas
próprias fantasias e contos.

“Toda essa atividade tem como objetivo não só um contato afetivo com a
criança — contato esse que não deve ser desprezado —, o desenvolvimento
da linguagem, da lógica, da estética, mas, principalmente, a liberação
da criatividade, da imaginação, da fantasia.

Mas é no final do livro […] que o autor realmente nos desvenda os
objetivos desse trabalho, objetivos basicamente educacionais e, por isso
mesmo, revolucionários. Chamando-nos a atenção para o fato de que a
psicologia — e eu diria a pedagogia, também — preocupa-se muito mais com
a atenção e a memória do que com a imaginação e a fantasia, Gianni
Rodari nos diz textualmente: “[…] a escuta paciente e a memória
escrupulosa constituem as características do aluno-modelo, que, em
geral, é o mais conveniente e mais dócil”.

“E nos mostra que os setores mais poderosos da sociedade realmente
não têm nenhuma intenção de privilegiar a imaginação e a criatividade,
pois não desejam que as pessoas aprendam a pensar, já que o pensamento
criativo seria a arma mais eficaz de transformação do mundo e, portanto,
de ameaça a uma ordem social conhecida, estabelecida e vantajosa para
eles”, trecho extraído da apresentação da obra feita pela escritora de livros infantis, Ruth Rocha.

“A presente “gramática da fantasia” […] não é nem uma teoria da
imaginação infantil (seriam necessárias mais coisas…) nem uma coleção de
receitas, nem um compêndio de histórias, mas, sustento, uma proposta
capaz de conviver com tantas outras que procuram enriquecer com
estímulos o ambiente (casa ou escola, não importa) em que as crianças
crescem”, na definição de Gianni Rodari.

O autor

Giovanni Francesco Rodari, que ficaria conhecido como Gianni Rodari,
nasceu em 23 de outubro de 1920 em Omegna, aldeia do noroeste da
Itália. Formado professor em 1937, cursou no ano seguinte a Faculdade de
Idiomas da Universidade Católica do Sagrado Coração, em Milão, mas logo
abandou o curso e dedicou-se ao ensino de crianças em cidades vizinhas.
Convocado para lutar pelo ditador Benito Mussolini durante a Segunda
Guerra Mundial, Gianni abandonou a farda oficial e entrou para a
Resistência italiana. No ano final da guerra, em 1945, resolveu
abandonar o magistério e dedicar-se inteiramente à militância política.
Depois, trabalhou como jornalista e encontrou o que chamava de “segunda
carreira”: a de escritor. Três anos depois, publicou sua primeira obra
infantil. Inicialmente atacado por ser de esquerda, com o passar dos
anos e a mudança do clima político Rodari passou a ser reconhecido na
Itália como um autor de literatura infantil que encantava as crianças.
Lançada em 1973, sua Gramática da fantasia se tornaria sua obra‑prima
para professores, pais e profissionais da educação. Em 10 de abril de
1980, Rodari foi internado em uma clínica para operar uma trombose na
perna esquerda. Quatro dias depois, morreu de choque cardiogênico, um
dos casos mais graves de infarto. Tinha 59 anos.

Título: Gramática da fantasia – Uma introdução à arte de inventar histórias – 12ª Edição revista

Autor: Gianni Rodari (1920 – 1980)

Editora: Summus Editorial

Preço: R$ 75,70 (E-book: R$ 45,40)

Páginas: 208 (17 x 21 cm)

ISBN: 978-65-5549-040-4

Atendimento ao consumidor: (11) 3865-9890

Site: www.gruposummus.com.br

Compartilhe :)

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *