Andréia é escritora e autora do livro Quando a Alma Floresce. Psicanalista, especialista em Psicanálise e Neurociência, é mestranda em Literatura e Interculturalidade. Educadora, pedagoga e servidora pública, constrói sua trajetória unindo ciência, sensibilidade e espiritualidade. Sua escrita é marcada por profundidade poética e reflexões sobre a alma, a fé e a autenticidade. Acredita que florescer é um ato de coragem, consciência e transformação.

ENTREVISTA:

Revista Projeto AutoEstima: O que a motivou a transformar sentimentos íntimos em palavras e dar origem à obra?

Andréia Cardozo: Transformar sentimentos íntimos em palavras nunca foi uma escolha estética, mas uma necessidade da alma. Quando a Alma Floresce nasceu dos silêncios que precisei atravessar, das dores que não podiam mais morar apenas dentro de mim e das alegrias que também pediam voz.

Escrever sempre foi o meu modo de organizar o caos e celebrar o milagre de permanecer inteira. Sou pedagoga, servidora pública, uma mulher que acredita na educação, na escuta e no cuidado — mas foi na escrita que encontrei o espaço mais honesto de encontro comigo mesma.

O livro surgiu quando compreendi que vulnerabilidade não é fraqueza, é maturidade emocional. Percebi que muitas pessoas vivem sentimentos profundos, mas não encontram linguagem para expressá-los. Decidi, então, oferecer a minha.

A obra é sobre dor, mas também é sobre superação. É sobre fé, interioridade, natureza e recomeço. É sobre entender que florescer não significa nunca ter sido quebrado — significa ter criado raízes mesmo em terrenos áridos.

Escrever essa obra foi um ato de coragem e de cura. Eu não quis apenas publicar poemas; quis transformar vivências em espelho, para que outras pessoas se reconhecessem, se acolhessem e percebessem que, mesmo depois das tempestades, ainda é possível florescer.

Revista Projeto AutoEstima: Como nasceu a ideia de reunir memórias, homenagens e experiências pessoais em uma obra com tom tão delicado e acolhedor?

Andréia Cardozo: A ideia nasceu de um movimento muito natural da minha própria trajetória. Sempre compreendi que a vida é feita de encontros, memórias e afetos que nos moldam profundamente, e senti a necessidade de registrar essas vivências não apenas como lembranças, mas como experiências transformadoras.

Ao escrever a obra, percebi que minhas memórias carregavam ensinamentos, minhas homenagens guardavam gratidão e minhas experiências revelavam processos de crescimento interior.

Reuni tudo isso com muito cuidado, pois acredito que a delicadeza também é uma forma de força — ela acolhe, cura e aproxima.

O tom acolhedor nasce da minha forma de enxergar o mundo. Escrevo a partir da escuta sensível, da fé, da contemplação da vida e do respeito pela própria jornada e pela jornada do outro. Cada texto foi pensado como um espaço de abrigo.

Mais do que reunir histórias pessoais, busquei transformar vivências individuais em experiências universais, convidando o leitor a revisitar sua própria história com mais ternura, compreensão e esperança.

Revista Projeto AutoEstima: De que forma a fé, a resiliência e o amor influenciaram a construção dos textos presentes no livro?

Andréia Cardozo: A fé, a resiliência e o amor não foram apenas temas presentes na obra — foram a própria base da escrita. São forças que atravessam minha trajetória pessoal e moldaram cada reflexão.

A fé sustentou minha sensibilidade diante das experiências mais desafiadoras, ensinando-me a enxergar sentido até mesmo nos momentos de dor.

A resiliência revelou-se na capacidade de recomeçar e transformar fragilidades em amadurecimento. O amor é o fio que costura toda a obra — amor pela vida, pelas pessoas e pela própria história.

Esses três pilares deram voz à obra e convidam o leitor a perceber que, quando cultivamos fé, resiliência e amor, a alma encontra caminhos para florescer.

Revista Projeto AutoEstima: Em meio aos momentos difíceis retratados na obra, como a autora encontrou luz e esperança para compartilhar com os leitores?

Andréia Cardozo: A luz e a esperança surgiram justamente no processo de atravessar os próprios momentos difíceis. Sempre acreditei que a dor, quando acolhida com consciência, pode se tornar um caminho de transformação.

A escrita me permitiu transformar fragilidades em aprendizado, perdas em amadurecimento e inquietações em crescimento interior. Cada experiência difícil tornou-se uma oportunidade de compreender melhor a vida e a própria essência humana.

Meu desejo foi mostrar que é possível encontrar sentido nas experiências mais difíceis e transformar a própria história em fonte de força, beleza e renovação.

Revista Projeto AutoEstima: Como a autora define o próprio processo criativo?

Andréia Cardozo: Defino meu processo criativo como um encontro profundo entre escuta e verdade.

Escrever é um movimento de interiorização — um mergulho sincero nas próprias emoções para transformá-las em palavras que acolhem.

A ternura presente na escrita nasce da forma como compreendo a vida: com sensibilidade, empatia e respeito pelas fragilidades humanas. A palavra tem poder de cura quando nasce da verdade.

Meu processo criativo busca transformar sentimentos em abrigo, dores em aprendizado e vivências em pontes de conexão.

Revista Projeto AutoEstima: Qual é a principal mensagem que deseja que o leitor leve após a leitura de Quando a Alma Floresce?

Andréia Cardozo: A principal mensagem é que todo ser humano possui dentro de si a capacidade de recomeçar, reconstruir-se e florescer, independentemente das circunstâncias vividas.

A obra convida à reconexão com a própria essência, ao acolhimento das fragilidades e ao entendimento de que a dor pode ser transformada em crescimento interior.

Se ao final da leitura alguém sentir mais paz, consciência de si e confiança na vida, a obra terá cumprido seu propósito.

Revista Projeto AutoEstima: Como espera que o livro contribua para que o leitor faça uma pausa e se reconecte com o essencial?

Andréia Cardozo: A obra foi pensada como um convite à pausa em meio à pressa da vida cotidiana — um espaço de respiro onde o leitor possa silenciar os ruídos externos e voltar o olhar para dentro de si.

Cada texto busca despertar uma consciência mais serena sobre a vida, incentivando o leitor a desacelerar e perceber o que realmente nutre a alma.

Revista Projeto AutoEstima: Houve algum texto particularmente desafiador de escrever?

Andréia Cardozo: Sim. Os textos mais íntimos e ligados aos processos de superação foram os mais desafiadores.

Revisitar memórias exigiu coragem, mas também proporcionou libertação emocional.

Cada página escrita foi não apenas um ato criativo, mas um processo de entrega, verdade e crescimento pessoal.

Revista Projeto AutoEstima: Como foi o lançamento do livro e quais emoções marcaram esse encontro entre literatura, arte e público?

Andréia Cardozo: O lançamento foi profundamente simbólico e emocionante, marcado por encontros que uniram literatura, arte e sensibilidade humana.

No centro da Cidade de Goiás, houve um encontro de caráter afetivo que também homenageou a trajetória da poetisa Cora Coralina, cuja história de resiliência inspira minha caminhada literária. Na obra, faço ainda menção honrosa à escritora Leodegária de Jesus, reconhecida como a primeira mulher negra poetisa e escritora do estado de Goiás.

Esse lançamento foi realizado em honra à minha família paterna e ao meu pai, minha base e referência de vida. Foi um encontro emocionante, em que o livro se revelou vivo, pulsante e sinestésico.

Em Brasília, o lançamento reuniu poetas, artistas e representantes públicos, incluindo a representatividade do Ministério da Cultura e o deputado distrital Gabriel Magno, reconhecidos pelo compromisso com a valorização da cultura, o fortalecimento da literatura e a promoção da leitura como instrumento de formação humana e transformação social.

A presença do meu avô, o escritor Arnaldo Júlio Barbosa, foi uma honra imensurável, simbolizando a continuidade de um legado literário.

Revista Projeto AutoEstima: Diante da receptividade da obra, quais são os próximos passos da sua trajetória literária?

Andréia Cardozo: Diante da receptividade da obra, projeto dar continuidade a uma trajetória literária comprometida com a sensibilidade humana, a reflexão interior e o poder transformador da palavra.

Pretendo ampliar minha produção literária, desenvolver novas obras e expandir espaços de partilha por meio de encontros, recitais e projetos culturais.

Acredito que a literatura é um convite para que deixemos de ser apenas rascunho e nos tornemos obra consciente de nossa própria história. Desejo seguir escrevendo para inspirar transformação interior e despertar nos leitores a coragem de assumir a autoria da própria vida.

Perguntas rápidas:

Um livro: Bíblia e A Coragem de Ser Imperfeito, de Brené Brown.

Um (a) autor (a): Carlos Drummond de Andrade.

Um ator ou atriz: Fernanda Montenegro.

Um hoby: Ler

Uma cor favorita: Amarelo — símbolo de luz, alegria e florescimento.

Uma música: Intuição, de Oswaldo Montenegro.

Um dia especial: Todos os dias da minha vida.

Para saber mais sobre a autora e adquirir o livro, acesse: Instagram: @quando_a_almafloresce

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