ENTREVISTADOS:

Felipe Grinnan – Foto divulgação

Revista Projeto AutoEstima: O filme apresenta personagens movidos por ambição, amor, rivalidade e poder. Como foi o processo de encontrar o tom emocional ideal para transmitir toda essa complexidade ao público brasileiro?

Felipe Grinnan: Depois de tantos anos dublando, o que eu acho que o dublador aprende — e isso é quase unânime — é que você precisa estar conectado exatamente com o que está acontecendo na cena, sem ficar tentando dar a sua visão da história, o seu ponto de vista. O dublador precisa ter uma humildade muito grande, porque está a serviço de alguma coisa. Então, quando estou nessa conexão específica com o ator e com o personagem, é natural que o tom emocional acabe se manifestando naturalmente.


Revista Projeto AutoEstima: Felipe, você já dublou Eric Bana em diversas produções ao longo da carreira. Ao reencontrar o ator em A Outra, houve algum aspecto da interpretação que chamou sua atenção de forma especial desta vez?

Felipe Grinnan: Interessante essa pergunta, porque a primeira vez que eu o dublei foi em 2003, no filme Hulk. De lá para cá foram, acho que, cinco ou seis produções em que dei voz a ele. O Eric Bana não é um ator de composição que se diferencia brutalmente de um personagem para outro. Ele trabalha mais nas sutilezas, nos detalhes. Especificamente em A Outra, essa imponência que ele tem como rei, essa energia que traz para o personagem, é muito específica e diferente de qualquer outro papel que já tenha feito. Há uma altivez no tom da voz dele, aquela questão de que o rei não precisa gritar para ser atendido; basta um olhar para que as pessoas o obedeçam. Então, é uma voz que não é exagerada, com uma frequência mais baixa e muita presença.

Revista Projeto AutoEstima: Esta nova dublagem reúne profissionais experientes e, ao mesmo tempo, uma dinâmica familiar muito especial. Como foi trabalhar em um projeto dirigido por Marlene Costa e compartilhar cenas entre irmãs e colegas de longa trajetória?

Felipe Grinnan: Olha, eu posso dizer, com muita gratidão ao universo, que essas três mulheres são um presente que a dublagem me deu. É como se fossem a minha família na dublagem, abençoada pela minha própria família. Então, é sempre um prazer estar com elas, porque aprendi muito ao lado delas. Foi com elas que aprendi a dar aula, a dirigir dublagem e que fiz personagens importantíssimos na minha carreira, seja sendo dirigido por elas, seja atuando ao lado delas. Essas três mulheres são três grandes talentos. É isso: muita gratidão por poder estar com elas.


Revista Projeto AutoEstima: A dublagem exige que a emoção seja transmitida apenas pela voz. Em uma obra tão dramática como A Outra, quais recursos interpretativos se tornam mais importantes para alcançar a verdade das cenas?

Felipe Grinnan: Isso é bem parecido com o que eu falei na outra pergunta em relação a encontrar o tom emocional do personagem. A gente, como dublador, nem sempre tem uma técnica específica para cada filme. Você desenvolve, com o passar dos anos, a sua técnica de atuação, colocando-se em conexão completa com o ator e com o personagem. Então, os recursos acabam sendo esses mesmos: uma escuta realmente atenta ao que está sendo dito, à maneira como está sendo dito, ao tom empregado e essa busca interna de conseguir, como em uma música, estar afinado com o tom que está sendo proposto ali.


Revista Projeto AutoEstima: O mercado da dublagem brasileira vive um momento de grande reconhecimento pelo público. Como você enxerga a evolução da profissão e a valorização dos dubladores nos últimos anos?

Felipe Grinnan: É, realmente o momento atual é muito diferente de quando eu comecei, há 31 anos. Naquela época, a maioria das pessoas não conhecia nossos rostos; reconheciam apenas as vozes. Eventualmente saía uma matéria em algum jornal ou revista, e as pessoas comentavam: “Nossa, olha como é a cara do fulano, olha a cara do beltrano”. Eu tive a sorte de dar muitas entrevistas ao longo da carreira, então, mais ou menos, um ou outro já conhecia meu rosto.

Com o advento das redes sociais, desde o Orkut, começamos a ocupar outro espaço na vida das pessoas. Além das séries e dos personagens, o próprio dublador passou a existir para o público. Hoje em dia, as pessoas sabem quem nós somos. Às vezes damos autógrafos nas ruas e tiramos fotos com o público e com os fãs. É um momento em que a profissão está sendo realmente valorizada. É bem diferente e, eu acho, até agradável, porque não chega a ser como, sei lá, um ator de novelas, um galã da novela das nove, que realmente deve ter mais dificuldade para andar em um shopping. Mas você percebe que as pessoas apontam para você quando passa na rua; algumas vêm pedir uma foto e outras apenas sorriem de longe. É divertido.


Revista Projeto AutoEstima: Para os espectadores que irão assistir a A Outra pela primeira vez na Netflix, o que você acredita que torna esta história tão atual e capaz de emocionar diferentes gerações?

Felipe Grinnan: O que eu acho que esse filme tem de especial é que a direção e o roteiro conseguem trazer humanidade aos personagens. Embora trate de figuras históricas que existiram em outra época e em outro país, tudo é conduzido com muita profundidade, mostrando dores, inseguranças, a luta pelo poder, a inveja e as questões familiares. Tudo é tratado com muita verdade pelo roteiro, pela direção e pelos atores. Acho que isso acaba trazendo uma atemporalidade para a obra.


Destaque da entrevista:

“O que eu acho que esse filme tem de especial é que a direção e o roteiro conseguem trazer humanidade aos personagens. Tudo é tratado com muita verdade pelo roteiro, pela direção e pelos atores. Acho que isso acaba trazendo uma atemporalidade para a obra.”Felipe Grinnan

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Fernanda Baronne – Foto divulgação

Revista Projeto AutoEstima: O filme apresenta personagens movidos por ambição, amor, rivalidade e poder. Como foi o processo de encontrar o tom emocional ideal para transmitir toda essa complexidade ao público brasileiro?

Fernanda Baronne: A atuação do ator é um grande guia para encontrarmos o tom de voz, mas a direção de dublagem é fundamental. Em muitas produções, o dublador tem apenas o contexto da sua cena, sem saber o que está acontecendo em outros trechos da obra. Por isso, é o diretor de dublagem quem faz esse ajuste e orienta como encontrar o tom ideal, mesmo quando se trata de atores com quem já trabalhamos com certa frequência.


Revista Projeto AutoEstima: A dublagem exige que a emoção seja transmitida apenas pela voz. Em uma obra tão dramática como A Outra, quais recursos interpretativos se tornam mais importantes para alcançar a verdade das cenas?

Fernanda Baronne: A direção de dublagem é muito importante, assim como seguir o que o ator está entregando em cena. Scarlett é uma atriz que se empenha muito e realmente vive suas personagens. Então, nos guiamos pela emoção e também pelo que está acontecendo em cena, bem como por todos os sentimentos que a atriz transmite.


Revista Projeto AutoEstima: O mercado da dublagem brasileira vive um momento de grande reconhecimento pelo público. Como você enxerga a evolução da profissão e a valorização dos dubladores nos últimos anos?

Fernanda Baronne: As redes sociais e os eventos colaboraram muito para esse reconhecimento, mas também há o fato de estarem chegando cada vez mais produções dubladas. Antes, nem tudo recebia uma versão em português.

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Elenir Alves
Editora da Revista Projeto AutoEstima

Boa leitura e até a próxima edição! ♥

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